22 de nov de 2011

Cidade dos Mortos

Faz muito calor hoje, uma tarde ensolarada, estou muito cansado e com muito sono, estou passeando com o meu carro pela cidade, passando por onde os meninos costumavam jogar futebol, mas existe ali agora um vazio imenso. As casas todas abandonadas, sangue pela calçada, tudo deserto.
Estou passando agora em frente a uma mercearia daqui, deveriam haver dois velhinhos vendendo seus produtos, a velhinha sempre nos atendia com algo na mão, sempre estava comendo uma fruta gostosa e nos oferecia, mas pelo que parece, ela parece preferir devorar os clientes hoje em dia, mas sem chance alguma de oferecer um pedaço à alguém.
Se for parar pra pensar os tempos agora são o mesmo de sempre, pois dava pra se ver como as pessoas tentavam se devorar umas as outras. Não era da mesma forma, mas era praticamente a mesma coisa.
Eu lembro do dia em que tudo começou, eu estava sentando em minha poltrona, assistia ao jornal tranquilamente, quando eu ouvi um barulho muito estranho no quintal.
Como eu pensava que era um ladrão por já ser noite, peguei uma faca e uma lanterna e resolvi checar. Havia um cheiro totalmente estragado no ar, como se alguma carne estivesse putrefada. Liguei à lanterna e me deparei com algo monstruoso, uma mulher chorava compulsivamente, dava pra se ver como ela estava descontrolada, havia muito sangue em sua roupa e ela possuía um machado que por aparência estava bem afiado. Com toda a certeza ela tinha pulado o muro, que não era tão alto assim.
Ela atacou a mim com uma fúria descomunal, eu a segurei e arranquei a arma de sua mão, ela se deixou cair e a implorar pela sua vida, dei-lhe um tapa e ela então se recompôs, mas em alguns segundos estava novamente histérica, dizia que os mortos estavam perseguindo-a, seu nome era Camila, uma loira magrela e branca, mas que por sinal era muito atraente, mas naquela situação, não dava pra reconhecer a sua beleza.
Levei-a para dentro de casa, ela tinha mordidas diversas espalhadas pelo corpo, dei-lhe algum remédio pra dor, ela deitou no sofá e dormiu. Liguei o rádio, e pude escutar então vários acontecimentos estranhos, pessoas que estavam mortas se levantavam e atacavam quem viam pela frente. O rádio aconselhava a todos para ficarem em suas residências, pois seria mais seguro. Pensei ser um trote e comecei a dar risada, se não fosse trote o que poderia ser? Com toda a certeza aquilo era uma brincadeira de muito mal gosto.
Fui olhar como Camila estava, sua temperatura aparentemente parecia estar muito baixa, ela estava gelada como um cádaver e dormia profundamente. Eu olhava-a atentamente, estava pensando aonde ela havia arrumado todo aquele sangue, de quem ela fugia, foi quando ela abriu os olhos, mas algo parecia estranho, ela possuía um imenso vazio no olhar, seus olhos estavam brancos como a neve, ela se levantou lentamente e veio ao meu encontro. Seu estado estava totalmente cadavérico, ela se arrastava com muita dificuldade, estava desesperada pra chegar até mim. Cada vez mais eu me afastava, de repente me vi encurralado, ela me segurou com toda a sua força, tentava me morder, caímos e rolamos no chão, consegui me soltar, fui em busca da minha faca, esperei ela vim e enfiei em seu estômago o sangue jorrou, mas ela não parou, então fui até o machado que ela havia trazido, dei um golpe certeiro bem no meio de sua cabeça e ela caiu.
Fiquei ali parado por vários minutos, enquanto no rádio se dizia que o único meio de se matar as criaturas era um golpe certeiro em seus crânios. Se dizia que as autoridades já tinham o controle da situação, sem querer deixei escapar uma risada, aquilo seria mesmo real.
Resolvi sair, abri a porta da frente e de longe dava pra se ver eles, andando lentamente, marchando ao ritmo da morte, procurando por carne humana. Quando então percebi que já havia um bem perto, disparei a correr loucamente. Corri bastante até chegar perto de um carro da polícia, caminhei lentamente até ele afim de pedir ajuda, mas então eu presenciei uma cena muito forte, três pessoas devoravam furiosamente o policial, sangue por todos os lados, tripas sendo devoradas em segundos, então sai de lá e fui procurar alguma forma de sair da cidade.
Por onde eu passava havia os famosos mortos vivos, os aspectos deles eram iguais aos dos filmes. Vi uma jovem correndo e gritando histericamente, quando ela deu de frente com um dos monstros, que a agarrou, mordeu violentamente seu pescoço, o sangue espirrava para cima, uma cena horrível e lamentável.
Finalmente achei um carro com a chave na ignição, quando fui entrar, fui surpreendido por um cádaver que já estava em decomposição, este mordeu meu ombro violentamente, acertei-lhe um soco e o empurrei, procurei por algum pedaço de pau no chão, fui até ele, e acertei a sua cabeça de forma violenta, até que todo o seu crânio saísse para fora, entrei no carro e sai por ai.
Passei toda a madrugada acordado, estava debilitado, o local da mordida estava completamente inflamado. Andei de carro por quase toda a cidade, já era uma tarde ensolarada, quando dormi no volante e acabei sofrendo um acidente.
Quando acordei sentia uma fome enorme, uma criatura se aproximou de mim e me cumprimentou, olhei assustado, como aquilo poderia acontecer. Cheguei em frente a um espelho, olhei detalhadamente, e percebi como meus olhos estavam brancos. Percebi que eu havia falecido e voltei, mas me sentia inteiro e normal, apenas a fome me incomodava, ela me fazia sentir uma dor aguda e cruelmente sufocante.
Vi uma linda moça correr junto ao seu namorado e se esconder ali por perto. Agora eu já tinha meu lanche da tarde garantido, talvez naquele momento eu pudesse perceber o que vi num filme. Uma mulher comentava sobre os zumbis:
_Eles são nós, nós somos eles e eles são nós.
Eu estava totalmente de acordo, mesmo vivo ou morto, a maioria dos seres humanos só pensam em si mesmos e naquele momento eu estava pronto para ser um humano mesmo estando morto, nem ligaria para o sofrimento do casal, eu estava pensando apenas em mim mesmo e como iria ser bom se alimentar da carne deles.
Depois daquele delicioso banquete talvez fosse difícil achar mais alguém vivo naquela cidade, a grande Cidade dos Mortos."

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