22 de nov de 2011

Coleção Obsessiva

Estava uma noite chuvosa naquele dia, um senhor de boa aparência física fumava seu cachimbo tranquilamente em sua cadeira, olhava para sua coleção na parede, à admirava como se admira à uma bela mulher. Ele olhava, enquanto conversava com sua companheira, que estava totalmente pálida e em decomposição.
Ela o ameaçava, uma criatura feia, e sem força alguma para conversar. Ele deixou-a ali falando sozinha enquanto, foi ver o jornal. Neste se mencionava um assassino, procurado pela polícia, pois estranhos casos aconteciam por ali, o homem recostou-se em sua cadeira, levou o pescoço para trás e soltou uma leve risada no canto de sua boca. Seu nome era Adolfo, já tinha quase seus 60 anos e pensava em se aposentar de seu posto de empresário, ele era dono de uma das maiores industrias farmacêuticas existentes no país.
Adolfo se lembrou de seu passado, quando tinha mais ou menos seus 25 anos, na época era apenas um farmacêutico que trabalhava em uma empresa simples e sem graça.
Ele não gostava de sua existência simples e sem perigos, queria algo mais, foi quando ele convidou três de seus amigos para ir à sua casa, para assistirem a um filme de Terror que estava fazendo o maior sucesso, O Massacre da Serra Elétrica, compraram as bebidas e se reuniram. Stephania, Laura e Miguel assistiam ao filme junto ao Adolfo, todos se horrorizavam com as cenas de horror, enquanto nosso humilde personagem se divertia com as cenas sangrentas que se passavam.
O filme acabou, mas Adolfo, de uma forma estranha, dizia haver algo mais e bem melhor que o filme para mostrar à eles, mas antes eles precisavam tomar mais uma cervejinha, pois o impacto, segundo ele, poderia ser grande. Todos tomaram a bebida, com exceção de Laura, que já se dizia bem nas alturas, quando ele levou-os ao quarto, Stephania desmaiou de repente, enquanto isso, Miguel recostava-se em uma cadeira com um cansaço imenso. Adolfo então contou o que fez, dopou-os, para que pudesse fazer algumas experiências, Laura tentou correr, enquanto o maníaco a perseguiu.
Adolfo gritava pela sua casa, procurando cômodo por cômodo e gritava em alta voz:
_Este é o fim da linha para você e seus amiguinhos, finalmente posso começar minha coleção, sim, mesmo que ninguém saiba quem eu sou, meus atos serão lembrados, faço isso por ela, ela está me deixando louco, me culpa até hoje por sua morte, já não suporto mais.
Laura, estava escondida debaixo da escada do porão, Adolfo, foi até o porão, deu uma olhada, como não achou nada, saiu.
Durante alguns minutos não se escutava um ruído sequer pela casa, Laura achou que era hora de tomar alguma medida, procurou por algo cortante por perto, encontrou um caco de vidro, bastante cortante por sinal, saiu de lá, ela olhava para todos os lados, já estava perto da porta de saída, esta se encontrava totalmente aberta. Laura se precipitou, saiu correndo velozmente em direção à porta, em toda à casa dava pra escutar um barulho de algo caindo no corredor, ela havia caído, graças ao golpe certeiro que Adolfo deu à ela com o taco de beiseboll. Este fechou a porta, e arrastou-a para seu quarto junto aos outros adormecidos, ele então amarrou-os e esperou que alguém acordasse.
O primeiro à acordar foi Miguel, que desesperado começou a gritar suas companheiras, estas acordaram, e Stephania, que era a mais frágil, abriu a boca à chorar. Miguel pedia calma, Laura ainda estava meio tonta por causa da pancada que recebera.
Começaram a planejar um jeito de fugir, mas para infelicidade deles, ele estava lá, tão superior à eles, tão elegante, dizia que seu novo hobbie seria colecionar a cabeça de suas vítimas. Stephania implorava por piedade, foi quando ele pegou a faca e fez carinho na pobre com esta, e dizia:
_Piedade, está pedindo para a pessoa errada garota, se eu não tive piedade dela, muito menos terei de você.
Começou a esfregar a faca contra o pescoço de Stephania, que se sufocava com seu próprio sangue, aquela imagem era horrível, Laura se esforçava para não olhar enquanto Miguel, parecia impressionado com o sangue gelado do amigo, Adolfo cortava sem dó nem piedade, sem expressão alguma em seu rosto, a única que teve, foi de satisfação quando conseguiu arrancar a cabeça dela.
Depois disso, ele parecia sentir prazer, estava bastante eufórico, Laura começou a chorar e a gritar por socorro, então ele pegou sua furadeira e ameaçou:
_Cale-se! E pare de chorar ou vamos judiar um pouco do joelho se seu amigo aqui.
Como ela não parou de chorar, ele pegou seu brinquedinho e começou a furar o joelho de Miguel, que gritava inconsolávelmente. Depois de um certo tempo, Laura voltou a si e viu o sofrimento do amigo, Adolfo então parou e retirou a arma do joelho do pobre e disse:
_Muito bom garota, finalmente se recompôs, agora sim seu amigo pode morrer sem dor, hahaha!
Adolfo ria histéricamente, e num gesto de fúria, ligou a furadeira, enfiou no pescoço de Miguel e foi rasgando, até conseguir arrancar completamente sua cabeça.
Laura, não aguentou a pressão e desmaiou.
Já de manhã, ela acordou desamarrada, o quarto de Adolfo estava limpo, mas ela tinha algumas feridas em seu calcanhar, ela tentou se levantar, mas sentia muita dor, imaginou se tudo não se passou de um sonho na noite anterior e como tivesse bebido bastante, poderia ter se machucado de algum jeito bobo. Ela saiu do quarto, tentando caminhar depressa, mas quase não saía do lugar.
Finalmente ela estava no corredor que dava para a porta de saída, olhou para frente e viu uma mulher sentada em uma cadeira, esta parecia paralisada, como se estivesse adormecida. Laura chegou perto, tocou-a, e nada. Chegou mais perto e viu como o rosto dela estava deformado e como estava totalmente decomposta pelo tempo, como se já houvesse falecido à muito tempo. Laura levou um susto imenso e percebeu que tudo aquilo que aconteceu foi real, e num gesto de esforço foi caminhando dolorosamente até a saída, foi quando foi surpreendida por Adolfo, que apareceu do nada, como se fosse o assassino do filme Sexta-Feira 13, possuía um machado em suas mãos e com um golpe apenas, arrancou mais uma cabeça para a coleção.
Depois de relembrar tudo isto, Adolfo levantou-se lentamente de sua poltrona e foi ao encontro da mulher que o atormentava, que por coincidência, era a que Laura havia visto, seu nome era Natália, a mulher de Adolfo, que segundo os jornais havia desaparecido em uma viagem que fez. Passou a mão sobre a cabeça dela e novamente olhou para a sua coleção de cabeças na parede, eram mais de 50 faces, estas olhavam para ele com desgosto e fúria. Adolfo apenas sorriu e desejou boa noite à todas.

Continua em - (Coleção Obsessiva 2: Marcado para morrer)

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