4 de jun de 2012

O Assassino da Capa Preta


O sangue escorria pela janela naquela noite chuvosa, o trem estava carregado de partes de corpos humanos, William se sentia sufocado e desesperado, queria sair dali de alguma forma, vozes falavam em sua cabeça, ele tentava correr, porém escorregava em meio às poças de sangue no local, o trem parecia ir a lugar nenhum, atravessando o túnel numa velocidade furiosa, ele se desesperou, começou a gritar, mas ninguém poderia escutá-lo, chegou alguém vestido em uma capa preta em sua frente, essa pessoa possuía uma adaga, não dava pra ver o rosto da pessoa, que levantou sua adaga pra atingir William, assim que a arma o atingiu, ele acordou desesperado em sua cama, suava frio, de certa forma deu graças a Deus por ser apenas um sonho ruim.
Já era manhã, William preparava suas malas, pois iria fazer uma viagem para uma ilha deserta, onde possuíam uma clínica de reabilitação para pessoas que sofrerem traumas por terem visto pessoas sendo mortas ao vivo, o homem era Psicólogo e iria trabalhar ao lado de uma Psiquiatra famosa, era a primeira vez de William em um lugar assim e estava realmente ansioso para ver como tudo seria.
Pegou um táxi e foi até o navio, chegando no mesmo foi recebido por dois policiais que guardariam a ilha, o capitão e a Psiquiatra, cumprimentou todos e aproveitou para conhecer seus pacientes e conversar um pouco com cada um.
William reuniu os pacientes no convés principal para que pudesse conhecer a história de cada um e já começar o seu trabalho de terapia.

Luma era a primeira da roda, ano passado ela assistiu seu próprio pai ser arrastado por quilômetros por um caminhão em alta velocidade, desde então não consegue dormir a noite ouvindo um som de caminhão e o grito de agonia do pai antes de morrer. Então foi a vez do Cassiano que era o próximo da roda, ele dizia que dois ladrões haviam invadido a casa que ele e a esposa moravam, renderam eles, porém no meio do assalto sua esposa reagiu e tomou um tiro na cabeça, o rapaz ficou imóvel, os ladrões fugiram, demorou para ele se dar conta do que tinha acontecido, só acordou de vez na hora que a polícia chegou e o acordou do transe em que ele havia entrado e então desde esse episódio seu mundo desabou. O próximo da roda era Natan, ele já estava em prantos, dizia que viu a própria mãe cometer suicídio em sua frente, ela trancara o próprio quarto e se enforcou lá dentro, quando ele conseguiu arrombar a porta já era tarde demais e aquela imagem ficou na sua cabeça desde então. Talita foi a próxima, ela dizia que sofria de depressão profunda e tentara suicídio várias vezes, para ela não importava mais viver nesse mundo, seu namorado havia assassinado brutalmente toda a sua família, quando ela descobriu seu mundo desmoronou e seu gosto pela vida nunca mais foi o mesmo. Viktor que era o próximo não quis compartilhar sua experiência, dizia que preferia conversas em particular, no momento não estaria pronto pra partilhar com todos a sua tragédia. Julie, era o nome da próxima, ela tinha sinais nítidos de cirurgia pelo rosto, contara que o irmão de seu namorado matou a família toda e desfigurou o rosto dela, desde então sua vida nunca mais foi a mesma, o irmão de seu namorado graças ao destino havia sido totalmente desmembrado por um caminhão enquanto fugia da polícia. A última da roda era Sara, ela estava totalmente envergonhada e falava de cabeça baixa, sua fala possuía uma estranha e cativante forma de sedução, mesmo estando falando como se tivesse vergonha de todos, ela dizia que viu um amigo ser espancado e torturado por uma gang de rua, parecia que seu amigo devia dinheiro aos caras, ela viu seu ele agonizar em volta a uma poça de sangue, desde então ela tinha medo de andar na rua, nunca mais saiu de casa e estava ali para procurar ajuda. William escutou todos atentamente ao lado da Psiquiatra Fabiana, o psicólogo parecia ter se interessado pela história de Sara, não tanto pela história, mas ele realmente havia se encantado com a forma que a garota expôs suas palavras, sua timidez fazia com que os olhos de William brilhassem com uma intensidade incomum e seu coração parecia querer saltar da boca, estaria o homem apaixonado?
Chegaram então à ilha, todos pegaram suas malas e se dirigiram a clínica, que mais parecia ser uma mansão, passariam uma semana inteira ali, todos foram para seus respectivos quartos e se ajeitaram. Ali os pacientes receberiam a terapia e eles mesmos ficariam responsáveis pela alimentação, como o lugar era rico em frutas e plantas, poderiam comer destas em abundância.
William reuniu todos na sala de estar e pediu para fossem descansar, pois pela manhã teriam uma longa sessão. Todos então foram dormir, enquanto o capitão do navio voltou para o mesmo, pois seu quarto estaria lá, um dos policiais também foi dormir em uma parte do navio enquanto o outro ficou de guarda.
Já eram mais ou menos 1 hora da madrugada, quando o policial avistou uma pessoa vestia numa enorme capa preta andando em meio à floresta que estava ali por perto, ficou um bom tempo tentando ver se conseguia ver algo ou se era imaginação de sua mente, como tudo ficou silencioso novamente pensou que não havia com o que se preocupar, alguém pegou o homem pelas costas, tamparam sua boca e enfiaram um tipo de faca diversas vezes sobre o seu pescoço, mais especificamente uma adaga, que fez com que o policial jorrasse sangue e caísse morto com o rosto ao chão. A pessoa arrastou o corpo do policial até o quarto do capitão, que já estava morto e com a cama banhada em sangue.
O outro policial então acordou assustado com uns barulhos vindos do quarto do capitão, chegou à porta e viu que havia um rastro de sangue que levava até lá, como se alguém houvesse sido arrastado, o homem então arrombou a porta e não podia acreditar no que via, praticamente uma mente doentia havia esfaqueado o capitão e o seu parceiro de polícia, foi quando teve a sensação de que alguém permanecia atrás de si, quando este se virou, deparou com uma pessoa vestida por uma enorme capa preta, não dava pra ver de quem se tratava, o assassino então levantou sua adaga em direção ao rosto do policial e cegou um dos seus olhos, o policial começou então a gritar de dor e a implorar pela vida, seus gritos de socorro eram inúteis, pois a mansão tinha um dispositivo que não deixava que barulhos do lado de fora incomodassem os moradores. O assassino então se sentou sobre a vítima que permanecia em desespero e enfiou a faca sobre o outro olho, era uma imagem bizarra, o sangue escoava por sobre os olhos do pobre homem e o maníaco permanecia em sangue frio esfaqueando lentamente o resto do rosto do pobre policial, este não agüentou por muito tempo a dor e faleceu com cortes por todo o rosto, mesmo depois de morto o assassino ainda continuou brincando por alguns minutos com a faca. O individuo da capa preta tratou de limpar os vestígios e esconder os corpos no quarto.
Eram mais ou menos duas e meia da madrugada quando William passava por um corredor da mansão e avistou Sara sentada no sofá, a mulher parecia estar sem sono. O psicólogo foi lá conversar com ela pra ver se poderia ajudar em algo, ela respondeu que tinha perdido o sono pensando nele. O homem então tomou um susto, pois um dos motivos de ele estar acordado ainda era que ele não conseguia parar de pensar nela, o psicólogo disse a ela que aquilo era loucura, que os dois eram terapeuta e paciente e não podiam ter nada mais do que aquilo. Pediu para que Sara fosse descansar, pois iria conversar com cada um deles bem cedo.
Já era manhã e William reuniu todos novamente na sala, o homem não parecia ter tido uma noite muito boa, o cansaço estava estampado em seu rosto. Ele iria atender um por um em uma sala que tinha nos fundos, seria mais ou menos uma hora para cada, enquanto isso, os outros poderiam ir dar uma volta.
Talita foi a primeira a ir até a sala, enquanto estava na terapia os outros saíram para dar uma volta.
Fabiana estava à procura de Viktor e Sara, pois os dois pacientes haviam desaparecido e ninguém os viu pela manhã. A mulher pediu para que Natan e Luma fossem até o navio para perguntarem ao capitão se teriam avistado o rapaz. Subiram no navio e perceberam que o silêncio ali imperava, Natan disse para Luma ir até a cabine ver se o capitão estaria lá enquanto ele iria até o quarto do velho. Luma foi até a cabine e não encontrou ninguém, ela pensou o quanto aquela situação era estranha, pois o homem e os policiais deveriam estar a postos para protegê-los e levá-los embora se alguém passasse mal. Quando ela se virou deu de frente com uma pessoa vestida em uma capa preta, ficou parada um momento e então ela perguntou quem era e o que a pessoa queria, o assassino da capa preta então rasgou o pescoço da mulher com a sua adaga, tudo tão rápido que Luma não conseguiu nem gritar, caiu morta em meio a poça de sangue que jorrou de suas artérias.
Como ninguém abriu o quarto para Natan, ele começou a tentar arrombar a porta, foram uma, duas, três tentativas, até que finalmente ele colocou a porta ao chão. Olhando para dentro do quarto ele não poderia acreditar no que via, o capitão e os dois policiais estavam mortos sobre a cama e o quarto coberto de sangue.
Quando se virou para correr e ir avisar os outros, deu de cara com William, que disse ter ouvido uns gritos vindos de lá. O homem achou aquilo estranho, pois não havia escutado nada, mas mesmo assim mostrou para o psicólogo o que acontecera por ali. William com toda a sua calma levou o homem de volta a mansão e pediu para ele não causar alarde, que fossem e avisassem a Fabiana o que acontecera ali, porém os outros pacientes não poderiam saber.
Conversaram os três sobre isso, e Fabiana parecia apavorada. Os três pensavam que seria Viktor o responsável pelas mortes, foi quando o mesmo chegou até a mansão, todo ensanguentado e ofegante culpando William, dizia ele que o homem tentou matá-lo na noite passada, porque ele viu o que o psicólogo fez aos policiais e ao capitão. Ele esteve desacordado desde então, chegou ali por milagre, estava bastante agitado e ferido, foi quando ele desmaiou.
Julie e Cassiano estavam ali por perto e se chocaram com a cena, Natan afastou-se de William e Fabiana o olhou desconfiada, o psicólogo tentou tranqüiliza-los, dizendo que não sabia o que ele estava dizendo, a psiquiatra chamou Cassiano e pediu que ele e Natan vigiassem o homem enquanto ela e Julie iriam levar o homem ferido até uma cama e tentar reanimá-lo.
Enquanto elas foram, William ficou tentando se explicar, dizendo que aquilo era uma besteira, foi quando chegou alguém vestido em capa preta pela porta principal e foi caminhando até eles, na distração William correu e Natan foi logo atrás, Cassiano ficou ali parado e perguntou quem era, porém a pessoa não respondia, Cassiano tentou agredir o indivíduo que o apunhalou no estômago, quando o homem caiu ao chão o assassino pegou a televisão que estava ali perto, levantou-a e arremessou contra a cabeça da vítima, que morreu instantaneamente.
Enquanto isso William entrou na sala em que havia consultado Talita e se trancou lá. Natan então fez um esforço e arrombou a porta, o que havia ali dentro ele não poderia acreditar, a paciente foi enforcada com um fio de telefone e sua barriga estava aberta, com as tripas caindo para fora do corpo. William estava em um canto da sala e começou a rir, porém logo parou, alguém que estava atrás de Natan amedrontou o psicólogo.
Foi quando Natan olhou para trás e tomou uma punhalada na cabeça, quando caiu ao chão o assassino ainda esfaqueou o rapaz várias vezes até ter a certeza de que ele não levantaria.
William esperou com que o assassino fosse até ele para matá-lo, porém o mesmo saiu dali. O psicólogo não entendeu muito bem aquilo, o mais engraçado então era de que ele não era o único com sede de sangue por ali, ele pensou e pensou, mas ninguém havia demonstrado pensamentos psicóticos, pelo menos não os que estavam vivos.
William subiu as escadas e foi até o quarto em que Fabiana e Julie estavam, parou ali perto e observou atentamente para dentro, como percebeu que apenas Julie estava ali, entrou no quarto com uma tesoura e pulou pra cima da mulher, o homem fincava a tesoura por sobre o rosto da mulher que chorava e implorava por piedade, enquanto o psicólogo ria e se deliciava mais e mais com aquilo, foi quando a mulher morreu. O homem levantou-se então e cravou a tesoura no coração de Viktor que estava deitado na cama, o trabalho de William ali estava terminado, faltava apenas dar um jeito em Fabiana.
O psicólogo foi até o lado de fora da mansão, enquanto caminhava até o navio foi surpreendido com um golpe desferido por Fabiana, ela estava com uma barra de metal em mãos e prometeu que iria matar o homem, que ele era um louco, quando estava para bater mais uma vez no homem com a barra de metal, a psiquiatra sentiu algo atravessando seu pescoço, era uma adaga, Fabiana soltou a barra e olhou para trás, a pessoa que fez isso com ela era Sara, a mesma pegou o ferro que estava no chão e arremessou contra a cabeça da psiquiatra que morreu na hora. William então se levantou, olhava atentamente nos olhos de Sara, esta andou até ele chegou com os lábios próximos ao dele e deu-lhe um beijo ardente, ficaram por algum tempo se beijando como dois apaixonados, a mulher contou então a ele que o ajudou porque o amava e estaria do lado dele até o fim de sua vida.
Depois de conseguirem comunicação com a central, o resgate chegou até a praia, William explicou como a atitude e a personalidade de Fabiana estavam alterados, o que levou a mulher a matar à todos, explicou de forma tão convincente como sobreviveram que a versão dele ficou como sendo a verdade.
Um ano após todos esses acontecimentos, realizou-se um casamento, divulgado pela mídia como o casamento dos sobreviventes. William e Sara estavam apaixonados, um amor lindo e intenso e que poderia quebrar todas as barreiras da sanidade.

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