22 de jun de 2012

Coleção Obsessiva 8: O legado de Luíza


Laura permanecia deitada em sua cama, enquanto conversava com seu terapeuta, que também era seu namorado, o nome do rapaz era Ricardo, ela já havia contado a história de sua vida a ele várias vezes e lá estava ele novamente ouvindo-a: “_Sabe, a um ano atrás eu matei o meu namorado e minha melhor amiga, com a qual ele me traía. Consegui tudo isto com a ajuda da minha mãe biológica. Tudo começou a mais ou menos um ano antes daquilo, ela me mostrava várias coisas. Ela conseguiu com que eu tivesse ódio pelo meu pai adotivo. Luíza era seu nome, desde que me conheceu nunca disse quem era, falava que era apenas uma boa amiga que iria me ensinar a ver toda a verdade sobre a vida. Certo dia ela me levou até em frente a um hotel que ficava no centro da cidade, sentamos num dos bancos que ficava meio escondido mas que dava uma visão perfeita da parte da frente do hotel. Não demorou muito eu pude ver meu pai adentrando o hotel ao lado de uma mulher linda, ela parecia ter uns 18 anos e estava vestida num top e numa micro-saia minúscula, como se fosse uma mulher da vida. Laura então disse que seus olhos encheram de lágrimas e sentiu então um ódio imenso de seu pai e da mulher que ele acompanhava.”

Na cabeça de Laura veio então toda aquela cena novamente, o que se tornaria inesquecível para a garota. Luíza disse a ela para esperarem que ela iria ensiná-la a como resolver essas questões tristes da vida, de forma que ela se sentisse bem melhor depois. Passou-se algumas horas e o pai da garota foi embora do local, as duas então entraram no hotel e foram até o quarto em que o pai tinha estado, a porta estava aberta, entraram sem problema algum, a mulher dormia profundamente na cama, estava nua debaixo das cobertas.
Luíza rapidamente tirou uma faca de dentro de seu coturno, falou para Laura prestar atenção em como se fazia para se sentir melhor. A mulher subiu na cama em que a amante de Guilherme estava, pulou por cima da mulher e acertou em cheio o seu pescoço com a faca, enquanto que com a mão esquerda colocou a mão por sobre a boca da mulher, o sangue jorrava de seu pescoço como em uma fonte, o olhar agonizante da mulher arrancou um sorriso dos lábios de Luíza, Laura permanecia imóvel em um canto do quarto, primeiro se horrorizou com a situação, mas segundos depois sentiu um prazer imenso subir por sobre o seu corpo e o sorriso em seu rosto, tão igual ao de Luíza, fazia com que as duas parecessem irmãs gêmeas com idades diferentes. A mulher na cama esperneou  por mais alguns segundos, Luíza permanecia por cima dela, a cama tornou-se um mar vermelho, a mulher então morreu com os olhos totalmente abertos , como se tivesse morrido olhando fixamente para algo terrível, Luíza então saiu de cima da mulher, foi lavar as mãos e tratou de apressar Laura, pois ninguém poderia saber que elas estiveram ali ou a polícia viria atrás delas.

Laura então continuou: “_Passou-se então algum tempo e Luíza me ensinou a resolver as coisas da maneira mais simples possível, eu era a juíza de minha própria realidade, aquilo me trazia um prazer imensamente estranho. Matei duas garotas e a mãe de uma delas no meu tempo de escola, elas viviam me humilhando publicamente, nunca acharam o culpado, claro que eu era a suspeita número um, mas fiz tudo tão bem planejado que não tinha como me descobrirem. Uma delas eu matei no banheiro da escola, foram várias facadas no estômago da pobre garota, fui até a casa da outra no mesmo dia, a mãe dela atendeu e disse que iria chamá-la, assim que a velha virou as costas a esfaqueei com vontade, fechei a porta rapidamente e subi as escadas, achei o quarto da jovem, entrei e ela se assustou, viu a faca ensangüentada em minhas mãos, tentou correr, mas eu a derrubei e pratiquei mais do meu exercício de autocontrole com ela, o mais maravilhoso nisso tudo foi que em público elas me humilhavam tanto, mas tanto, que sozinhas não fizeram nada para se defender, a reação das duas foi apenas correr, lamentável até onde chega essa natureza humana desprezível.”

Laura parou, olhou para o amor de sua vida e disse: ”_Você foi a melhor coisa que já aconteceu em toda a minha vida, desde que te conheci me apaixonei de verdade, desde a nossa primeira consulta, você me disse que nunca me abandonaria e que estaria sempre do meu lado, me ajudaria a vencer todos esses traumas, só de você me escutar sobe uma satisfação imensa por toda a minha alma, não sinto vontade de matar mais ninguém enquanto tenho você ao meu lado, coloquei fogo em toda a minha coleção de cabeças, coloquei fogo no cadáver de Luíza para que ela nunca mais me alimente com mentiras, como minha amada mãe adotiva faleceu a um mês atrás a única coisa que eu tenho na vida é você e pretendo ficar eternamente ao seu lado. Você me disse uma vez, que seria loucura se ficássemos juntos, pois você era o terapeuta e eu a paciente, você quase não cumpriu o que havia me prometido, mas ainda bem que consegui te convencer da forma mais fácil possível, de que você seria meu e apenas meu. Ter  você comigo já basta, não irei manter amor em uma coleção de cabeças de pessoas sem graça e sem vida enquanto eu posso ter o seu amor para sempre comigo.”

Laura se levantou da cama, foi em direção ao seu amado, e deu-lhe um beijo caloroso naquela boca gelada e com gosto de formol, a garota então carregou seu namorado até uma banheira de formol que ela mantinha em seu quarto, colocou-o dentro e fechou com a tampa. A garota feliz desejou boa noite ao amor de sua vida enquanto ela iria descansar um pouco, pois logo cedo voltaria ao seu emprego na farmácia, onde logo poderia ter uma promoção e quem sabe seguir os passos de seu avô que ela nunca conheceu. A única certeza de que temos é que a promessa de Ricardo seria cumprida e o amor que Laura mantinha por ele já satisfazia a sede psicótica da garota.

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