28 de dez de 2014

A lenda do Circo 8

"Circo 8, diversão para toda a família, tragam suas crianças e venham se divertir conosco, somos os melhores e você irá se surpreender com o que pode encontrar aqui” Este era o slogan que o famoso Circo 8 utilizava em todas as cidades em que passava. Mas agora o Circo 8 estava extinto, era apenas lenda. No circo 8 existia um palhaço chamado Isaac, era grande e forte, mas transmitia alegria para o púbico. Era a principal distração do circo, suas piadas nunca cansavam, além de ser dono de um magnetismo alto para conversar com os outros. Mas isso era apenas quando Isaac estava vestido em sua fantasia, sem a mesma ele incorporava uma personalidade estranha e antissocial. Depois dos espetáculos ele desaparecia e nenhum dos outros palhaços sabia onde o encontrar. Manoel estava em um teste para novos talentos que estava acontecendo no circo. O Senhor Arnaldo era o dono do local e estava observando os vários talentos que tinham ali. Quando foi a vez de Manoel o senhor Arnaldo se impressionou e foi só elogios à performance do jovem, disse que a vaga era dele e que já deveria começar a se apresentar no outro dia. Manoel ficou empolgado diante da situação e foi descansar, pois no outro dia já começaria a sua primeira apresentação na nova casa. Manoel chegou cedo no Circo 8, um rapaz já o aguardava e se apresentou: “_Bom dia, meu nome é Maurício e estou aqui para te apresentar o circo.” Manoel se simpatizou com a recepção do rapaz e logo começaram a andar pelo circo. Ele apresentou quase todos do circo ao Manoel, todos estavam preparando suas maquiagens, naquele circo era um ritual se vestir de palhaço. Não importava se eram trapezistas, malabaristas ou o que fossem, todos eles deveriam se fantasiar, era uma regra. Manoel dizia estar empolgado para começar e que o clima do circo parecia bem agradável. Maurício parou de sorrir por um instante e comentou algo inquietante com Manoel: “_Tenho que te contar algo mas não fique pensando muito sobre isso certo?” Manoel fez que sim com a cabeça e Maurício prosseguiu: “_O palhaço que irá trabalhar junto com você, já possuiu diversos parceiros, na minha contagem você é o décimo que ele terá como auxiliar.” Manoel olhou meio que sem entender o que Maurício queria dizer com aquilo tudo e o rapaz continuou: “_Todos aqueles que trabalharam junto com Isaac desapareceram misteriosamente, ninguém sabe o paradeiro deles, mas uma coisa é certa, é muita coincidência acontecer isto apenas com quem trabalha junto com o Isaac, peço que tenha cuidado e se perceber algo estranho quero que me conte.” Manoel concordou e ficou meio assustado com aquilo tudo que acabara de escutar. Maurício levou Manoel até um trailer que ficava no fundo do circo e disse: “_Te deixo aqui e lhe desejo boa sorte, seu novo parceiro está ai dentro, pode bater à porta, daqui a pouco ele deve te atender.” E assim foi, Manoel bateu à porta e aguardou, logo ouviu passos se aproximando gradativamente da porta, a mesma logo se abriu. Um homem alto e forte o atendeu, tinha uma expressão séria e de poucos amigos, aquele seria mesmo o famoso Isaac? A lenda do Circo 8 era tão sem graça assim? Manoel se apresentou cordialmente e Isaac retribuiu o cumprimento: “_Prazer, meu nome é Isaac, entre e fique à vontade. Eu vou ali no meu quarto me arrumar para o espetáculo e espero que você faça o mesmo. Você pode fazer o que quiser aqui dentro, só te faço um único pedido, em hipótese alguma entre no meu quarto, não gosto que entrem lá, muitos já se arrependeram de ter entrado lá e espero que não ocorra o mesmo com você.” Isaac virou as costas repentinamente e entrou em um compartimento do trailer, enquanto que Manoel ficou ali tremendo com o medo que as palavras do homem transmitira à ele. Manoel estava terminando de se arrumar quando um palhaço super divertido chegou ao seu lado: “_Ei, você que é o Manoel cara de pastel?” Os dois riram e então o palhaço estendeu a mão, quando Manoel apertou um jato de água surgiu de uma flor pendurada na roupa do palhaço e molhou Manoel, os dois riram novamente. Manoel perguntou: “_Essa é muito boa, sempre quis usar ela, mas qual é o seu nome e como entrou aqui?” Ao que o palhaço respondeu: “_Ora, como assim? Sou Isaac, seu parceiro.” Manoel franziu as sobrancelhas sem entender nada, como aquele sujeito mudou tão repentinamente com apenas uma maquiagem pesada sobre a cara? Os dois entraram na arena e começaram a apresentação, todos davam gargalhadas altas, o Senhor Arnaldo se surpreendeu com o carisma e a performance de Manoel, se sua apresentação não era melhor que a de Isaac com toda a certeza se igualavam. A apresentação terminou e foi um sucesso, todos saíram só elogios e diziam que voltariam, o Senhor Arnaldo viu uma nova oportunidade de conseguir mais dinheiro e Manoel seria o responsável por isto. Quando Manoel estava se dirigindo em direção ao trailer, Arnaldo o chamou em um canto: “_Manoel espere, preciso falar com você.” Manoel foi até Arnaldo e o senhor continuou: “_Você tem um grande futuro pela frente Manoel e eu acredito veemente que você possa ser a nossa grande estrela, mas, você seria capaz de fazer qualquer coisa pelo seu sucesso? Seria capaz de vender sua alma ao circo?” Manoel olhou meio sem entender aquilo tudo e respondeu: “_Olhe, eu nem sei o que o senhor está querendo dizer, mas sou cristão e essa coisa de vender a alma não combina muito comigo, digamos que eu daria o sangue pelo circo.” O Senhor Arnaldo riu: “_Não diga estas palavras meu filho, aqui é melhor você dar a sua alma, do que dar o seu sangue.” E riu novamente. Manoel se despediu e caminhou de volta ao trailer. Tinha sido um dia cansativo e Manoel estava dormindo, quando acordou com um pesadelo terrível, vários palhaços tentavam comê-lo vivo, que loucura tinha sido aquele pesadelo. Ele se levantou, lavou o rosto e tomou um pouco de água, quando estava voltando para a sua cama, viu que a porta de Isaac estava entreaberta. A curiosidade do homem falou mais forte e ele empurrou a porta, em seguida ele tampou o rosto e soltou um grito, ele não podia acreditar no que estava vendo, Isaac estava devorando um homem vivo em meio à uma imensidão de velas que já se encontravam banhadas em sangue e no alto do quarto a figura de uma criatura, em baixo da mesma uma faixa escrita com o nome Baruatã. Isaac olhou para trás, ele ainda estava com a fantasia de palhaço, seu olhos agora eram vermelhos e o banho de sangue em sua roupa completava o clima de terror. Isaac pegou uma foice que estava logo ao chão e disparou em direção à Manoel, este fechou a porta e a trancou por fora, logo correu como um louco de dentro do trailer. Manoel encontrou Maurício sentado em um canto e contou tudo o que estava acontecendo, Maurício disse: “_Este é o começo do fim dos nove circos, cairão um por um, você não é o primeiro a vir aqui e me contar o que viu, mas eu vejo o começo do caos, aqueles sobre os quais Baruatã não tem o poder são a verdadeira ameaça para o seu reinado.” Manoel perguntou quem era Baruatã, o que significava aquilo tudo e onde estaria o senhor Arnaldo, Maurício pareceu estar delirando: “_Corra Manoel, você deve correr. Mate Manoel, você deve matar os responsáveis pelo terror. Isaac virá atrás de você, ele quer sua carne, Arnaldo virá atrás de você, ele quer oferecer sua alma à Baruatã, os dois juntos são a alma do Circo 8, os outros palhaços são apenas alimentos da fome insaciável de Isaac por carne humana.” Manoel gritou: “_Onde está o senhor Arnaldo.” Maurício apontou para um trailer que ficava na outra ponta do circo, Manoel agradeceu e correu dali em direção ao trailer. Maurício observava o rapaz correndo ao longe, quando seu próprio sangue começou a jorrar de seu pescoço, ele ainda teve forças para dizer: “_Este é realmente o começo do fim.” Isaac tinha acabado de cortar o pescoço de Maurício, ele parecia alucinado, corria de um lado para o outro à procura de Manoel, alguns palhaços apareceram em sua frente, ele apenas lançou a foice ao encontro do peito de um, e logo acertou o pescoço de outro, os dois que sobraram correram como loucos. Todos os que entravam em sua frente encontravam a morte, o circo virou um caos com palhaços correndo de um lado para o outro em desespero. Enquanto isso, Manoel estava arrombando a porta do trailer de Arnaldo pois o velho não queria abrir. Ele finalmente conseguiu, mas para seu azar Arnaldo estava com uma arma em mão e apontava direto para sua cabeça. Manoel perguntou: “_O que significa isso tudo? Quem é Isaac?” Arnaldo respondeu: “_Isaac é servo de Baruatã, assim como eu. Somos um dos representantes dos nove circos que representam nosso deus, semana passada o Circo 9 caiu, não permitirei que o Circo 8 tenha o mesmo destino, você poderia ter sido grande aqui dentro, teria um futuro brilhante, mas quis continuar em uma fé fraca ao invés de ter o poder que o grande Baruatã poderia lhe conceder.” Manoel cuspiu com nojo ao chão e falou: “_Seu deus não exis...” Manoel parou de falar e começou a vomitar sangue, sua barriga havia sido atravessada, uma lágrima caiu de seu rosto, logo depois foi a vez dele cair. Atrás dele surgiu a figura imponente de Isaac, Arnaldo ficou feliz e foi abraçar o homem: “_Muito bem Isaac, você protegeu o futuro de nosso reinado, como fui tolo em deixar este homem entrar em nosso circo, como...” Arnaldo parou de falar e deu dois passos para trás, enquanto que Isaac o acompanhava em sincronia, quanto mais ele se afastava, mais o palhaço se aproximava dele, Arnaldo caiu, de suas calças jorrava urina, Isaac balançou a cabeça em sinal de desaprovação e então deu um chute na cabeça do velho que desmaiou instantaneamente. Arnaldo acordou no quarto de Isaac, estava preso enquanto Isaac fazia sua oferenda à Baruatã. Arnaldo gritou: “_ O que pensa que está fazendo seu infeliz.” Issac fez o sinal de silêncio e disse: “_Eu quero sua carne e nosso deus quer sua alma.” Começou então a rir desenfreadamente enquanto Arnaldo gritava: “_Traidores, como podem, eu sempre servi à vocês, traidores.” Estas palavras foram interrompidas por gritos de dor e muito sangue. O alimento de Isaac estava servido e Baruatã ganhara uma nova alma. Contam que o Circo 8 pegou fogo, foi um desastre total. Alguns palhaços que sobreviveram à tragédia contavam que Issac havia enlouquecido e matara muitos palhaços naquela noite, logo depois pegou gasolina e espalhou pelo circo. As autoridades o procuravam, pois seu corpo não havia sido encontrado. Este era o fim do circo 8, mas seria o fim do terror? O que seriam os 9 circos? Baruatã era uma figura real ou apenas fantasia de quem o seguia? Bom não sabemos todas as respostas, a única coisa que sabemos é que enquanto Isaac existir, o reinado infernal de Baruatã continuará seu banquete de sangue.

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